sexta-feira, 5 de setembro de 2014




Eficácia torna resultado enganador

Na estreia do Campeonato Nacional de Iniciados, o Sporting enfrentou uma deslocação complicada a Sacavém, encontrando no Sacavenense um duro opositor que acabou mesmo por dominar a primeira part, período no qual esbanjou mesmo algumas ocasiões de golo, no entanto sem conseguir inaugurar o marcador.

Chegada a segunda parte, os leões subiram ligeiramente de produção, mostrando uma eficácia superior à do seu oponente, conquistando a vitória nos últimos dez minutos por intermédio do atacante Ricardo Veloso.

Estádio do Sport Grupo Sacavenense – Sacavém

SACAVENENSE:
Manuel Fernandes
Rafael Pardal
Tiago Esperança
João Costa
Afonso Martinho
Francisco Pires
Diogo Nunes (c)
Rodrigo Souto
(Josemar, 54)
Ra Baldé
David Ribeiro
Rodrigo Felizardo
(Lucas Silva, 64)
Treinador: Tomás Morais

SPORTING:
Filipe Semedo
Luís Silva
(Lisandro Tipote, 47)
David Alexandre
Dinis Ieseanu
Ivo Cláudio
Bavikson Biai (c)
Bernardo Sousa
João Monteiro
(Jorge Lino, int.)
Diogo Brás
Ricky Veloso
Francisco Oliveira
(Pedro Dias, 53)
Treinador: Pedro Venâncio

Arbitragem: Paulo Barradas - Setúbal
Disciplina: cartão amarelo para Manuel Fernandes (70) e Ricky Veloso (70)
Marcador: 0-1 por Ricky Veloso (62)

sábado, 23 de agosto de 2014






Brasil: ultrapassado em todas as acepções da palavra


A baliza canarinha foi serventia da casa...Todas as prestações realizadas por Alemanha e Brasil nesta edição do Mundial apontavam uma evidente diferença de consistência emocional e táctica entre ambas as selecções, por muito que pudesse custar à equipa que joga a competição em casa e que possui mais títulos mundiais do que qualquer outra selecção.

Essa realidade levava a que no seio da ‘amarelinha’ fosse necessário reconhecer que para ultrapassar o rival alemão seria necessária astúcia, uma sapiência que na verdade há muito nenhuma equipa nacional demonstra para levar de vencida a Mannschaft. No entanto, se a nível de selecções tal não tem acontecido, a nível de clubes existe um modelo que Luiz Felipe Scolari e seus pares poderiam ter utilizado como parâmetro para aumentar as suas possibilidades – o campeão europeu de clubes Real Madrid.

Difícil colocar em prática uma estratégia de clube numa selecção nacional? Sim, até porque este Brasil não tem, nem perto disso, ‘um’ Karim Benzema, ou Cristiano Ronaldo, ou Angel Di María. Pior, nem sequer tinha a sua principal arma ofensiva, Neymar, à disposição. Ainda assim, possui jogadores com uma qualidade bem superior à que foi demonstrada num verdadeiro vexame que será certamente relembrado até nos próximos 100 anos.

Como tal, certamente que o Brasil não faria pior figura que aquela que na realidade fez caso tivesse apostado no ‘anti-taka’ que fez com que o Real tenha goleado sem apelo nem agravo a espinha dorsal desta Alemanha, o Bayern de Munique, que apenas e só consiste na génese desta Alemanha.

Contudo, Felipão preferiu manter-se fiel à teimosia e ao seu Brasil que de ‘vintage’ apenas possui a forma arcaica como defende e procura sair para o ataque, cometendo novamente o erro de prender vários jogadores neutrais a uma só posição, perdendo uma possível dinâmica ofensiva que poderia colocar o ‘Bayern-Deutschland’ em apuros e, pior, desprezando mesmo as principais qualidades de um adversário que demonstrava um poderio bem superior.

desprezo começou pela defesa, que se apresentou lenta e sem propósito, com a particularidade de ser composta por dois defesas centrais de estilo semelhante, David Luiz e Dante, que por curiosidade ou não apenas só isso também havia feito parte da barricada dos humilhados no acima mencionado Bayern vs Real.

Foram muitos os problemas de um Brasil que não foi adversário para a Mannschaft

Com o central mais credibilizado de fora por castigo, Thiago Silva, e com duas alternativas sem a mesma qualidade, a necessidade de colmatar as virtudes que David Luiz não oferece pediriam o lançamento de um central mais sóbrio como Henrique, que está longe de ser um grande central, ao invés do mais espectacular mas também mais errante Dante, ainda mais quando os laterais sempre foram neste Mundial demasiadamente macios no processo defensivo.

Com Marcelo, Maicon ou eventualmente Daniel Alves pedem-se centrais capazes de fazer a dobra e muitas compensações, algo que pela sua composição David Luiz e Dante nunca foram nas suas carreiras capazes de fazer – essa debilidade tornou-se ainda mais marcante quando pela frente do quarteto defensivo brasileiro surgiu um endiabrado Thomas Muller, que com facilidade apontou dois golos e arrancou uma assistência.

No caso dos laterais, seriam obrigados a fechar o seu flanco sem hesitações e subir apenas pela certa, contrariando o seu estilo, e na perspectiva ofensiva dos centrais pelo menos um deles teria de ser também referência ofensiva nas bolas paradas, algo que David Luiz poderia ter assumido. Mais: se esse ‘buraco’ defensivo existiu, a isso muito se deve a escolha dos nomes para a convocatória: difícil perceber porque ficaram de fora dos 23 jogadores como Miranda, Filipe Luís, Rafinha ou até Luisão

Passando ao meio-campo: seria nada menos do que impossível uma dupla composta por Fernandinho e Luiz Gustavo, dois ‘destruidores’ de génese idêntica, ter o mínimo sucesso perante dinamizadores como Bastian Schweinsteiger, Sami Khedira e especialmente o sensacional Toni Kroos, muito provavelmente o melhor homem em campo pelo que jogou para além dos dois golos marcou e a assistência que arrancou.

Estranho no mínimo, verificar que Ramires não foi titular neste encontro no centro do terreno. Mais estranho ainda foi perceber que o homem do Chelsea é constantemente adaptado à ala direita do ataque quando seria o elemento mais habilitado para tentar dividir o meio-campo com os alemães, mais ainda do que Paulinho, que frente ao México tinha saído claramente a perder nesse particular em relação ao portista Hector Herrera, nomeadamente no posicionamento sem bola.

Equipa titular apresentou várias escolhas que não justificaram a confiança de Scolari

Desta forma, Ramires poderia assumir a saída em posse e libertar Oscar para se tornar a primeira ‘seta’ apontada à baliza adversária. Todavia, para que tal pudesse resultar, não só Oscar teria de jogar de forma mais solta como vez mais a escolha dos nomes a compor a linha ofensiva teria necessariamente de ser outra visto que teriam de forma obrigatória de passar pelas cada vez mais referidas ‘ventoinhas’, de constante projecção atacante e forte movimentação.

Face à complicada época de estreia que teve na Europa, não poderia pedir-se a Bernard que desempenhasse essa função, ainda mais quando a restante alternativa consistia num jogador mais tarimbado no panorama internacional e bastante rodado com uma interessante época transacta ao serviço do Chelsea, como é o caso de Willian, que em situação normal teria sempre sido titular frente à Alemanha ao invés de ser lançado com a partida e o resultado completamente resolvidos.

Aliás, a sua própria convocatória parece duvidosa face à existência de outros nomes deixados de fora da lista final de 23 e mais habilitados que o jovem extremo para actuar neste Mundial. Como explicar que Bernard ocupe uma vaga que poderia pertencer a Lucas Moura, um valor que teria espaço, de caras, neste grupo de trabalho e mesmo na equipa titular.

para além de Lucas uma das vagas de extremo neste ‘escrete’ poderia pertencer a jogadores como Alex Teixeira, Douglas Costa ou Taison, que curiosamente retiram espaço a Bernard no Shakhtar, Robinho mesmo com a falta de ritmo, ou a criativos como Kaká ou Ronaldinho Gaúcho, que possuem uma importantíssima experiência neste tipo de competições. Nenhum destes jogadores mereceu a confiança de Felipão, e o ataque ressentiu-se disso.

Quanto ao lugar de ponta-de-lança, frente à Alemanha tornava-se mais específico do que nunca, e dispensava por completo um jogador com as características do mal-amado Fred em prol de uma unidade rápida capaz de dominar, tabelar e de imediato disparar em desmarcação, uma função que num primeiro olhar caberia melhor a Jô, que ainda assim se trata de um futebolista longe de justificar a presença numa selecção como a brasileira.

Embora não disponha dos goleadores do passado sempre poderia ter recorrido a Jonas, Lima do Benfica ou Luiz Adriano. Contas feitas, todos os sectores estiveram aquém frente aos germânicos e o seu seleccionador foi claramente incapaz de ler o seu oponente, terminando copiosamente goleado e com muitos pedidos para a sua demissão que muito embora possa não ser a resolução de todos os problemas parece justificar uma mudança, pelo menos a chegada de um conselheiro mais inserido no jogo actual, quem sabe oriundo da Europa para evitar que novo vexame se repita…

Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: CBF
rafaelreis.rbr@gmail.com









Num início de época em que todos os clubes em Portugal se preparam para uma época repleta de emoção e competição os vários encontros proporcionam regressos mais ou menos marcantes, como o de um técnico de carisma que passou pelo futebol nacional num outro tempo, deixando o nosso País há 29 anos após ter orientado o Sporting.

Na sua passagem pelo nosso País em virtude de liderar como técnico principal do WAC Casablanca um estágio que levou o conjunto marroquino a defrontar vários conjuntos que compõem a Primeira Liga, John Toshack, de 65 anos, acedeu a conceder algumas considerações a NOVA ACADEMIA DE TALENTOS, manifestando satisfação com o seu projecto actual e recordando a sua já antiga passagem por terras lusitanas.

Rafael Reis: Como caracteriza o mais recente particular que o clube que orienta, o Wydad, realizou contra o Estoril?

John Toshack: Gostei de defrontar o Estoril, uma equipa mais forte do que a nossa e com mais tempo de preparação mas que só tinha um golo de vantagem, um 1-0 que traz sempre perigo e o adversário, neste caso o WAC, pode sempre empatar, e foi o que aconteceu. Na segunda parte estivemos um pouco melhor apesar de o Estoril ser mais forte.
Rafael Reis: Que avaliação faz ao estágio que realizou no nosso País?

John Toshack: Foi bom, numa semana realizámos três encontros contra equipas da Primeira Liga portuguesa vencendo dois e empatando outro mas fisicamente teremos de melhorar, ainda estou há apenas um mês em Casablanca e falta conhecer os jogadores, a cada encontro vou aprendendo mais coisas, mas para mim o importante é que temos jogadores jovens, sete deles actuam nos sub-23 de Marrocos, e é interessante que quando eles entram a equipa melhora. Pelo contrário alguns jogadores veteranos do WAC decepcionaram-me, enquanto os jovens têm ajudado a equipa, esperava mais dos jogadores experientes mas estou muito contente com o rendimento dos jovens do WAC.
Rafael Reis: Acredita que esses jovens podem garantir a continuidade do sucesso do WAC?

John Toshack: Como já disse, parte deles evoluem nos sub-23 de Marrocos quando aqui na Europa são sub-21, e eles continuam a crescer nessa equipa. Ainda não conheço o plantel tão bem quanto gostaria e ainda nos falta contratar um ponta-de-lança mas em linhas gerais foi uma semana aqui em Portugal muito proveitosa com muitos treinos, três encontros contra equipas de primeiro escalão e embora os resultados não sejam o mais importante é sempre importante para dar confiança. Se se pode vir, jogar contra três equipas de Primeira Liga e ganhar dois em três para os jogadores é sempre uma injecção de confiança, ainda mais quando se sofreram apenas dois golos nesses jogos, um deles de penalty.
Temos muito, muito trabalho pela frente, mas estamos no caminho correcto. É sempre bom defrontar uma equipa como o Estoril, o clube do Carlos Xavier, e ainda reencontrei Manuel Fernandes, Mário Jorge, Oceano, Venâncio... estive com ele há uns dias, na última vez que o tinha visto ainda tinha cabelo (risos). Meu Deus, Litos... já passaram mais de 20 anos. Você ainda não devia ser sequer nascido.

Rafael Reis: Não, de facto ainda não tinha nascido. Treinou em Portugal, o Sporting, há 30 anos, como falámos há pouco. Desde essa altura até agora, como entende que mudou o futebol português? Esteve agora num estágio jogando contra equpas portuguesas, quais entende serem as diferenças entre o seu tempo e o actual?

John Toshack: Uff, o treino aqui agora é muito melhor do que antes. O futebol é diferente agora, mais rápido, claro que também mais profissional, e completamente melhor. Quando estava no Sporting era muito difícil ganhar fora de casa em locais como Guimarães, Penafiel, em Braga também... eram grandes jogos, e o futebol em Portugal está ainda mais rápido, o Estoril realizou uma temporada fantástica na época passada. Normalmente em Estoril, Cascais, não pensamos em futebol...

Rafael Reis: Pensamos mais em férias, não é?
John Toshack: Pensamos sempre em férias, e em gelados e peixe, num bom vinho verde (risos), mas agora o Estoril tem um campo muito bonito, um relvado muito bom para o futebol e uma boa equipa, pronta para a Liga Europa e com muito boa posse de bola embora só tenha sido capaz de marcar à minha equipa através de um penalty.

Rafael Reis: Acha que o Estoril está pronto para repetir a última época?

John Toshack: Creio que se mantiverem este futebol em posse podem melhorar, obrigaram-nos a defender com ordem, mas não me recordo de nenhuma oportunidade de golo clara apesar de toda essa posse de bola, o nosso guarda-redes nao teve demasiado trabalho. Mas no que toca a nós temos de melhorar bastante. Continuarei a acompanhar o meu Swansea e desejo-lhe o melhor para o seu trabalho. Foi um prazer.
 
Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: Action Images/Reprodução VAVEL
rafaelreis.rbr@gmail.com



Sensações da Taça da Liga

Desportivo de Chaves

Três jogos, duas vitórias, uma delas no terreno do conjunto mais candidato ao apuramento para a próxima fase, a U.Madeira, e uma igualdade perante outro concorrente forte como a Oliveirense, é o pecúlio de uma equipa equilibrada com jogadores experientes, outros formados no clube e uma interessante aposta no talento africano como é apanágio do técnico Luís Norton de Matos. Estaremos perante uma surpresa na Liga 2?

Tudo pronto no regresso do Oriental

Passado o encontro de apresentação aos seus associados, que correu pelo melhor e com uma vitória por 3-1 sobre o Sintrense, o Oriental vem preparando o seu regresso às competições profissionais com uma equipa que se prepara para corresponder às exigências do seu técnico, João Barbosa, numa fase em que se encontra ainda a assimilar processos e dentro das expectativas para este momento da época.

Com o plantel ainda aberto depois de vários jogadores terem cumprido período experimental sem contudo terem convencido o treinador da equipa lisboeta, dissipou-se a distância até à estreia oficial que decorreu já nesta quarta-feira contra o Tondela, o primeiro encontro da História do clube na Taça da Liga. Infelizmente, o resultado esteve longe da perfeição – derrota por 4-2.

Poderia pensar-se que este resultado retrataria uma série de resultados negativos pela falta de hábito ou impreparação do clube a tão elevadas exigências. Puro engano – o histórico de Marvila não mais voltou a ser derrotado, juntando duas vitórias ao seu currículo e terminando a fase de grupos com um surpreendente mas bem merecido primeiro lugar, prometendo golos e espectáculo nas próximas rondas.

Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: Clube Oriental de Lisboa/Diogo Taborda
rafaelreis.rbr@gmail.com

terça-feira, 5 de agosto de 2014




Para além de o Sporting vs Lazio se tratar de mais um encontro particular para as duas equipas, a disputa de mais uma competição de pré-temporada, o Troféu Cinco Violinos, e a oportunidade para os leões apresentarem o seu plantel aos associados, ao mesmo tempo a visita do conjunto romano proporcionava o retorno de Bruno Pereirinha à casa que o formou e o lançou a nível profissional, deixando-a precisamente pelo seu actual clube para jogar com maior regularidade.

Bem mais maduro como futebolista, e após prestar algumas declarações à restante imprensa nacional, Pereirinha acedeu conceder uma pequena entrevista exclusiva a Nova Academia de Talentos, na qual ‘levantou o véu’ sobre a sua experiência em Itália e o que dela espera para o futuro próximo e a longo prazo.
Rafael Reis: Começo pela pergunta da ‘praxe’: como foi defrontar o Sporting? Uma vez que nas perguntas a que respondeste incidiram mais no individual, falo agora no colectivo: que importância teve este encontro para a Lazio? Pelo que fizeste e a equipa fez hoje, quais pensas serem as reais aspirações da equipa?

Bruno Pereirinha: É sempre bom voltar, o Sporting reforçou-se muito bem e manteve a base da época passada. Este ano queremos voltar às competições europeias porque no ano passado a época não nos correu bem e por isso esse vai ser o principal objectivo.

Foste titular neste jogo. A ideia será continuar, ou trata-se apenas de pré-época e o plantel ainda está a fazer alguma rotação?

Trata-se de pré-época, o plantel está a ter muita rotação e ainda faltam chegar alguns jogadores que estiveram no Mundial, mas trabalharei com o intuito de ser titular.

Ficas satisfeito com a exibição da equipa frente ao Sporting?

Fico mais satisfeito pelo resultado do que pela exibição, tivemos algumas dificuldades pelo ritmo e qualidade impostas pelo Sporting mas acho que no fim de contas o resultado acaba por não ser mau.

Achas que este plantel da Lazio será aquele que jogará o resto da época ou poderão esperar-se mais reforços até ao encerramento do mercado?

Fala-se muito no mercado, por isso não sei se haverão mais entradas ou saídas. Mas é possível que ainda possa haver mudanças.

quarta-feira, 30 de julho de 2014




Logo após a conclusão do encontro válido pela Eusébio Cup entre Benfica e Ajax, o treinador do campeão holandês que na visita ao Estádio da Luz logrou obter uma vitória por 1-0 e a consequente conquista do troféu perante uma águia ainda distante do fulgor demonstrado na época passada, 
Frank de Boer, acedeu a prestar declarações em exclusivo mundial a Nova Academia de Talentos.
Após ter primeiramente prestado declarações à televisão do clube, a Ajax TV e à restante imprensa holandesa e portuguesa, o antigo futebolista que evoluía como defesa central, posição na qual estará entre os grandes especialistas da História da modalidade, comentou o encontro frente aos encarnados e estimou a importância do encontro para os seus jovens jogadores.

Rafael Reis: Como valoriza esta prestação da sua equipa neste jogo? Considera que esta foi a oportunidade ideal para os jovens poderem evoluir e demonstrar as suas potencialidades? Era esta a ideia principal?

É uma situação muito positiva para acrescentar ao nosso treino. Sim, penso que sim, este é um excelente estádio para se jogar e o meu objectivo passar por fazê-los competir nos melhores palcos. Foi uma experiência muito boa.

Rafael Reis: Um colega da Holanda que estava junto de mim falou-me na importância para a equipa de encontrar um substituto para o Viktor Fischer, que se encontra lesionado. É assim que acontece, Fischer ficará muito tempo afastado da equipa?

Sim, é verdade, a lesão é séria e complicada e é uma pena, temos de substituí-lo para iniciar o nosso Campeonato, isso será muito importante para nós.

Rafael Reis: O jovem jogador que hoje marcou o golo da vitória, Ricardo Kishna, poderá ser o substituto de que fala?

Sim sim, possui vários atributos semelhantes aos de Fischer, e ele está muito bem neste momento. Vamos ver, espero que continue a acompanhar o Ajax e desejo o melhor para si.

segunda-feira, 14 de julho de 2014




Entrevista com Guilherme Farinha - parte 1


Uma coisa parece certa e garantida neste Mundial 2014: não resistem quaisquer dúvidas em relação ao estatuto de surpresa-mor da prova para a Costa Rica, equipa superiormente orientada pelo colombiano Jorge Luis Pinto mas também uma nação marcada pelo bom trabalho desempenhado em duas passagens por um técnico português, Guilherme Farinha de seu nome.



O experiente treinador continua a residir e a trabalhar no país a partir do qual acedeu a prestar uma entrevista, respondendo a questões preparadas pelo jornalista brasileiro Ulisses Carvalho e a mim próprio num exclusivo nacional para VAVEL.



Rafael Reis: Espero que esteja a correr-lhe tudo como espera pela Costa Rica, será para continuar?



Na Costa Rica felizmente correu bem, fomos vice-campeões do Torneio de Copa, fizemos 5º lugar e estivemos a lutar até á ultima jornada para entrar nos 4 primeiros, para as semifinais. Em 66 anos de história da AD Carmelita fui considerado o melhor treinador do clube.

A equipa foi considerada a que melhor futebol praticou no campeonato nacional e estive entre os nomeados para o melhor Técnico do ano. E, por tudo isto, fui convidado a renovar contrato, o que fiz com muito agrado apesar de ter outras propostas.


UC: Como está o trabalho no Carmelita?



A AD Carmelita assinou contrato comigo na época passada, é um clube no pequeno bairro de Alajuela e que geralmente está na II Divisão e este ano conseguimos o título de vice-campeões no Torneio de Copa ao perdermos por penalties com o Saprissa, o campeão nacional. Ficámos em quinto lugar, temos o jogador com o golo mais bonito da época e eu estou entre os nomeados para melhor treinador do ano…

UC: Por que não foi jogador de futebol mas sim técnico? Como conseguiu seu primeiro emprego no futebol?


Nunca fui jogador de elite mas sempre joguei, desde os 8 até aos 25 anos, o meu primeiro treinador foi o Sr. Mário Lino no Sporting, como aspirante joguei no GDCR Os Mouros tendo como treinador o Sr. Luís Norton de Matos numa competição organizada pela AF Lisboa. 

Como sénior joguei no SBC e Woensel e também no Best-Voruit, todos da Holanda. Era jogador dos aspirantes de Os Mouros na época de 79/80 e a Direcção do clube convidou-me para treinar a categoria de Iniciados e aí comecei a minha carreira de treinador.



RR: Pode descrever os primeiros passos da sua longa carreira enquanto técnico?


A minha carreira não começou no Fanhões, começou nos Iniciados do Mouros durante duas épocas, ainda jovem e estudante, e na minha série só o Sporting me ganhava, cheguei inclusive a empatar com eles sendo eu jogador dos aspirantes do mesmo clube, na altura treinado por Luís Norton de Matos. Apareço depois como treinador dos Juniores do Fanhões graças ao convite de um grande amigo meu nessa altura director do clube, o Eng. João Duarte.


Depois passei pelo futebol da Holanda, onde treinei os seniores do KS Broekhoven, da cidade de Tilburg, nessa altura fui o primeiro treinador português a treinar na Holanda e quiçá dos primeiros na Europa.



Regressando da Holanda, treinei o Vitória Clube de Lisboa, da III Divisão e depois fui convidado a treinar o FC Oliveira do Hospital, também da III Divisão antes de aceitar a possibilidade de treinar a selecção da Guiné-Bissau e assumir o assessoriamento técnico do Centro Nacional de Formação de futebolistas e a organização de todos os campeonatos dos escalões etários de formação, das Escolas até aos Juniores.

UC: Através de quem surgiu a proposta da Seleção de Guiné Bissau e como era o país naquela época, as dificuldades e o futebol?



Havia vários candidatos para seguir para a Guiné-Bissau, mas para ser eu o eleito tive de ter a decisão favorável das seguintes entidades: Federação Portuguesa de Futebol, o Presidente, Dr. João Rodrigues, Direcção-Geral dos Desportos de Portugal, Prof. Dr. Mirandela da Costa, Associação Nacional dos Treinadores de Futebol, o presidente, Prof. Dr. João Mota, e do Cônsul da Guiné-Bissau, nessa altura o Major Valentim Loureiro. 

O projecto chamava-se ‘Projecto Juvenil da Guiné-Bissau, a colaboração e o apoio directo era dado pela DGD de Portugal e a coordenação do mesmo era feita pelo Prof. Carlos Queiroz na FPF.

O Projecto tinha vários objectivos, e o principal passava por organizar e dinamizar o futebol juvenil da Guiné-Bissau, durante esse período, que foram 4 anos e meio, também fui treinador de todas as selecções de formação da Guiné participando em Campeonatos do Mundo de sub-17 e sub-20, nos I Jogos Desportivos da Língua Portuguesa ganhando na final a Portugal em sub-16, e acabei por ser seleccionador nacional desse país ganhando vários torneios internacionais.

Por exemplo, venci a Taça Amílcar Cabral e apurei pela 1ª vez a Guiné-Bissau para uma  fase de grupos de uma CAN, Tunísia 94. Também participámos nos I Jogos da Francofonia em Paris com os sub-23, conquistando um honroso 5º lugar, saí de Portugal para iniciar este projecto em 1 de Novembro de 1990 e regressei em Dezembro de 1994. O país nessa época era tranquilo e vivia-se com extrema segurança, havia muito talento na Guiné-Bissau mas faltava melhorar as infraestruturas para a prática do futebol.



RR: Como descreveria essa etapa da sua carreira?



Pessoalmente é um país que muito respeito, mas na realidade era muito complicado pela falta de verbas, de condições, de infraestruturas, com um nível de pobreza muito elevado e desorganização quando lá cheguei e por todo o trabalho realizado durante quatro anos e meio classifico este meu trabalho neste país do continente africano como o meu melhor trabalho até hoje.

Testemunham esta minha classificação os Profs. Carlos Queiroz, Nelo Vingada, Rui Caçador e Arnaldo Cunhadepois de sair da Guiné após a brilhante participação nos Jogos da Francofonia em Paris em Sub-21, regressei a Portugal definitivamente devido a uma segunda malária que pôs em risco a minha vida. 


Quem me salvou da morte foi o Dr. Bernardo Vasconcelos, ficando para trás um trabalho árduo mas de muita paixão e dedicação e uma vitória nos I Jogos Desportivos de Língua Portuguesa ao vencer na final no Estádio Nacional Portugal por 1-0,” 



UC: O que ocasionou a sua saída de Guiné Bissau?



Após os Jogos da Francofonia em 1994, deixe-me dizer-lhe que fui para essa prova em Paris com uma recaída da febre da Malária, por indicação dos médicos guineenses, portugueses e italianos que trabalhavam na Guiné-Bissau foi-me aconselhado o regresso imediato a Portugal, portanto houve essa questão da saúde, e por outro lado o Governo de Portugal decidiu que estava concluído o meu trabalho na Guiné e que seriam os guineenses a dar continuidade ao projecto.



Graças a Deus, derivado ao trabalho desenvolvido por mim durante todo esse tempo recebi elogios do Governo português, nomeadamente do Ministro da Educação, Dr. Couto dos Santos, e ainda um Louvor e Mérito do Presidente da República da Guiné-Bissau.



RR: Que etapa se seguiu a essa experiência em África?


Há um pequeno interregno de alguns meses no qual dei aulas de Educação Física e após isso surge o convite para treinar o Praiense na II Divisão, o objectivo salvá-los da descida iminente, com a curiosidade de ter chegado à Praia da Vitória numa cadeira de rodas pois tinha sido operado com anestesia geral a uma rutura no tendão de Aquiles quando dava aulas e bem... consegui salvar o Praiense. 


Logo de seguida orientei o Sporting da Horta da III Divisão, também com o mesmo objectivo e mais uma vez foi cumprido, o aparecimento de Guilherme Farinha no continente sul-americano no Club Cerro Corá da I Divisão do Paraguai foi graças a um protocolo existente entre o Sporting Clube de Portugal e o Cerro Corá, pelas mãos do Eng. Vítor Batista, amigo de infância que conhecia e era amigo do vice-presidente do Sporting, Dr.Simões de Almeida.

Pôs-me em contacto com ele para uma reunião e numa semana viajei para Asssunción, o Cerro Corá encontrava-se na última posição do campeonato paraguaio, tive o privilégio de ter um mês de trabalho entre o Torneio Apertura e o Torneio Clausura e arrancámos para o Clausura. Para não descermos de divisão só podíamos perder um jogo e perdemos logo na primeira jornada com o Guarani.



Após essa derrota ganhámos 14 jogos seguidos e fui à final no Estádio Nacional Defensores del Chaco com o Olímpia e perdi por 3-0...e fomos vice-campeões. Deixo aos leitores a classificação do meu trabalho no Cerro Corá, um clube de bairro- Bairro de Campo Grande – com 200 sócios. 



UC: Como chegou até a América do Sul para treinar o Cerro Corá do Paraguai e fale de seu grande trabalho nesse clube?



Tinha acabado de salvar o Sp.Horta dos Açores de uma descida de divisão iminente, falo de 1996 e regressei a Lisboa. Era Director do Departamento de Futebol do Sporting o Sr. Luís Norton de Matos e o vice-presidente o Dr. Simões de Almeida, na época de 1997 o Sporting assinou um protocolo de colaboração e cooperação com o Cerro Corá, nessa altura militava na I Divisão do Paraguai e corria risco de descida.

O Cerro Corá pediu ao Sporting um treinador seu, as duas pessoas que referi convidaram-me para seguir para o Paraguai como treinador principal do Cerro Corá, ganhei o Torneio Clausura e consegui ser vice-campeão nacional e ganhei o prémio de Treinador Revelação outorgado pelo jornal ABC Color.  



RR: Depois do Paraguai optou pela primeira experiência na Costa Rica. Correu de acordo com o que esperava? 



As condições que encontrei na Liga Deportiva Alajuelense e no Sport Club Herediano foram muito diferentes das do Paraguai porque tanto um clube como outro são ou estão por História do país nos três melhores clubes da Costa Rica.

Posso afirmar inclusive que a LD Alajuelense em todos os aspectos é um clube de top em qualquer parte do Mundo, de tal forma que logrei o bicampeonato nacional, ganhando os dois campeonatos de Apertura e Clausura.

UC: Como foi parar no Alajuelense? Fale da sua passagem por lá.



Estava no meu terceiro ano de Cerro Corá e mataram o vice-presidente do Paraguai, Don Luis Argaña, e culparam o General Lino Oviedo que era presidente honorário do Cerro Corá, tornou-se quase impossível para o clube ter condições de segurança nos seus jogos fora. Para defender a minha integridade física o presidente do Cerro convidou-me a regressar ao Sporting mas não quis pois o trabalho estava a correr muito bem.

Entretanto o presidente da LD Alajuelense da Costa Rica, Rafael Solis Zeledon mostrou interesse junto do presidente do Cerro em adquirir um jogador do clube, Carlos Alberto Gonzalez, e também necessitava de um treinador, e o presidente do Cerro comunicou-lhe que o treinador do clube, Guilherme Farinha, seguia com o jogador para assinar contrato aproveitando a ocasião para tecer elogios vários elogios à minha pessoa enquanto pessoa e homem.

Com franqueza aceitei o convite do presidente do Cerro para seguir viagem para a Costa Rica e o Alajuelense, embora contrariado. Passados onze dias assinei contrato, no dia 13 de Maio de 1999, com o clube. Como deve compreender não vou contar toda a história pois seria muito longa mas conto o principal e talvez o mais impprtante – o Saprissa tinha ganho os quatro últimos Campeonatos quando pisei solo costa-riquenho, falei para a Imprensa que estava ali para ser campeão nacional!

A equipa já estava formada de jogadores e a equipa técnica era constituída por mim como treinador e preparador físico e mais dois elementos. Como aparte, hoje a mesma equipa é constituída por sete elementos. Ganhei o Torneio Abertura e o Clausura 99/00 e fui vice-campeão CONCACAF Las Vegas e campeão da UNCAF, no mesmo ano ganhei o prémio de melhor treinador estrangeiro da Costa Rica. 

Na época seguinte voltei a ganhar os Torneios Abertura e Clausura, fui bicampeão nacional, campeão da UNCAF, segundo na Copa Merconorte, o clube chegou ao 23º lugar no ranking mundial de clubes, ganhei o prémio de treinador do ano. 

RR: Considera ter conquistado o respeito dos adeptos da Costa Rica?


Sem dúvida, ganhei dos Torneios da UNCAF, sendo vice-campeão da CONCACAF em Las Vegas, conseguindo o segundo lugar na MercoNorte, levando a Liga a um elevado posto do ranking mundial da FIFA e tendo o orgulho da UNAFUT me ter outorgado por duas vezes com o prémio de melhor treinador do ano e a ANTF em Portugal me ter entregue o Prémio Fernando Vaz e o Jornal O JOGO me ter considerado o melhor técnico português no estrangeiro. Este último prémio foi atribuído por uma votação de todos os jogadores portugueses que actuavam no estrangeiro.

Texto: Rafael Batista Reis
Nova Academia de Talentos
rafaelreis.rbr@gmail.com