terça-feira, 6 de setembro de 2016




Suíça x Portugal: após o sonho, de volta ao trabalho

Em breve, Portugal terá Cristiano Ronaldo de volta e a todo o gás, mas não ainda frente à Suíça - será essa a grande diferença relativamente ao sucesso recente no Euro 2016.

Há pouco menos de dois meses, a Selecção Nacional e todo o povo português viviam um final de Junho/início e meados de Julho de sonho com a sua primeira grande conquista internacional após várias tentativas e logo de uma forma épica: um Campeonato Europeu vencido perante a França numa final disputada no Estádio Nacional de… França e num encontro de surpreendentes acontecimentos (lesão precoce do Bola de Ouro e capitão de equipa, Cristiano Ronaldo, e um golo da vitória obtido já durante o prolongamento por Éder, que até então apenas havia actuado durante breves instantes.

Depois do momento de auge, nada melhor para Portugal, recentemente empossado como Rei da Europa, do que iniciar a fase de apuramento para o Mundial num encontro de estádio cheio. É o que acontecerá já esta 3º feira na Suíça num palco em que, como é hábito, a multidão portuguesa emigrada se fará ouvir a viva voz.

Por outro lado, olhando para o grupo em que se encontra, a equipa nacional poderia ter escolhido uma partida bem mais simples em termos de grau de dificuldade para iniciar a sua campanha de apuramento uma vez que a Suíça surge como um adversário difícil e a ter em clara atenção. Por outro lado, a questão poderia sempre ser mais complicada caso se tratasse de um duplo compromisso. Não o sendo, Portugal pode concentrar-se ao máximo nesta deslocação e dentro de uns meses preparar com toda a tranquilidade a recepção a esta mesma equipa helvética.

Cristiano Ronaldo estará de regresso em força… mas não ainda frente à Suíça

A maior diferença entre a Selecção Nacional que se sagrou campeã europeia em glória e esta Selecção Nacional que visita território suíço está evidentemente na ausência do seu líder desportivo e até espiritual como o é Cristiano Ronaldo, uma estrela que também se conhece pelo facto de dar início ao trabalho de recuperação física às 8 horas da manhã, trabalho que nem assim será suficiente para que a sua presença nesta convocatória fosse uma realidade; muito em breve, CR7 estará de volta em força.

A qualidade individual de Cristiano e inclusivamente a sua força motivacional que se estende depois a toda a equipa será uma séria baixa. Sem a sua estrela maior, Portugal terá de ser uma verdadeira equipa para sair com os 3 pontos de um palco também ele, o mítico St. Jakob Park, onde os principais clubes nacionais se têm habituado a defrontar o Basel (há duas épocas, o FC Porto foi incapaz de vencer nesse mesmo relvado) e a assistência suíça procurará trazer um grande ambiente a juntar aos cânticos que deverão ser entoados pelo enorme contingente luso emigrado no país.
Portugal terá pela frente um adversário que esteve pertíssimo de o defrontar no Euro 2016

Conhecida como a nação que serve de sede ao quartel-general da UEFA, hoje a Suíça deve ser encarada como mais do que isso; é hoje uma equipa cimentada e também habituada a fazer parte das grandes competições internacionais, pelo que almeja com legitimidade fazer parte do Campeonato do Mundo depois de ter atingido os quartos-de-final do Euro 2016 – se tivesse atingido a fase seguinte, ter-se-ia atravessado no caminho de… Portugal.

Como ponto-chave em termos ofensivos, a equipa suíça apresenta o bom entendimento revelado no seu futebol flanqueado, especialmente no seu lado direito – à atenção, pois, de Raphael Guerreiro ou quem sabe de Eliseu, que alinhou como titular diante de Gibraltar e se encontra também habituado aos palcos mais exigentes, sendo que até na Liga Portuguesa tem alinhado consecutivamente nos últimos anos em casas de exigência máxima como o Dragão e acima de tudo Alvalade.

Apesar do favoritismo que lhe é atribuído, Portugal terá de estar ciente de que encontrará pela frente uma série de condições difíceis e por isso terá de ser não menos do que o ‘melhor Portugal’, aquele que ergueu o título europeu, para entrar com o pé direito nesta fase de qualificação. Até para perceber se depois de ter tocado o céu, alguma coisa mudou após o sucesso.