quarta-feira, 30 de novembro de 2016


CAC: Acordo com credor - estabilidade à vista?

Há cerca de duas semanas, a discórdia era evidente: uma Assembleia-Geral a apontar harmonia; fora desta, algumas acusações a manterem-se Após as informações que davam conta da situação deficitária do CAC Pontinha e algumas dúvidas sobre a sua realização devido a falta de condições permitidas pelas Leis Gerais e Estatutos, decorreu a Assembleia-Geral Extraordinária no clube que contou com a presença dos corpos gerentes do clube, os atletas que o compõem e uma fatia dos seus associados assim como os Presidentes da Junta de Freguesia de Pontinha/Famões e Carnide, Corália Rodrigues e Fábio Sousa respectivamente.

A magna reunião teve o intuito de esclarecer todos os sócios, atletas e respectivos familiares relativamente ao esforço colectivo que tem sido realizado entre todas as partes envolvidas e aprofundou o trabalho entre as Câmaras Municipais de Lisboa e Odivelas e as Juntas de Freguesia de Pontinha/Famões e Carnide na tentativa de estabelecer uma solução que permita a sustentabilidade futura do CAC.

Uma ambição também manifestada no período inicial da Assembleia pelo Vice-Presidente da CM Odivelas, Paulo César Teixeira, que visou, segundo o próprio, “esclarecer todo o processo que tem sido desenvolvido em parceria com as autarquias e com a Direcção do CAC para a construção do futuro complexo desportivo que irá ser uma realidade em 2017” após a venda dos terrenos do anterior Campo para a construção da nova Feira Popular cujas demolições tiveram arranque no passado dia 3 e que obriga o CAC a buscar por outro campo para competir.

“Até lá, apresentámos todas as certezas e compromissos que ficaram acertados entre Lisboa e Odivelas e as soluções transitórias até a nova construção do Complexo, concluiu o dirigente municipal que é também responsável pelo pelouro do Desporto nesse Concelho antes de ser também destacado o papel do Vereador ligado ao Desporto da CM Lisboa, Jorge Máximo, seguindo-se assim o esclarecimento sobre o contrato-programa que liga o CAC e a Câmara Municipal de Lisboa e a confirmação de que a CML possui legitimidade para tomar decisões implicativas para o CAC.

Isto devido ao facto de o clube da Pontinha não ter cumprido algumas obrigações com a edilidade que terá já aceite um plano de pagamento para a restituição da verba em atraso. Passada essa questão, o responsável pela CM Odivelas anunciou ainda o acordo entre as Câmaras de Odivelas e Lisboa e a Direcção Regional de Educação de Lisboa para a construção de um campo de treinos na Escola Agrícola da Paiã que será utilizado pelos alunos que frequentam esse estabelecimento e pelas equipas de formação do CAC Pontinha.

Por seu turno, o Presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, anunciou o projecto relativo à construção do novo campo do CAC Pontinha numa zona frontal ao Cemitério da localidade, aprovado pela CM Lisboa e pela FPF. No seguimento da Assembleia-Geral, o Presidente da Direcção do clube, António Roque, congratulou-se pela “grande assembleia deste grande clube. Grande assembleia num grande ambiente clubístico“.

Em plano contrário mantinham-se algumas vozes discordantes com especial enfoque no responsável pelo diário ‘Odivelas.com’, António Tavares, que considerou através de uma publicação a Assembleia-Geral “possivelmente a última” da História do CAC.

O mesmo texto revela que esta 4ª feira decorrerá nova sessão no Tribunal de Loures na qual poderá ser sentenciada a extinção do clube, um outro processo movido por um pai de um atleta no Tribunal de Sintra e as audições do Ministério Público em relação a uma queixa movida por associados da colectividade procurando investigar dirigentes que representaram o emblema da Pontinha desde 2008 e aponta ainda que o CAC Pontinha terá recebido um total de 35 mil euros.

Este montante terá sido encaixado através de verbas divididas entre Sporting (um protocolo assente em direitos sobre atletas da formação do CAC) e Belenenses (eventual contrapartida pela saída de atletas da equipa sénior feminina), o que fez o mesmo interveniente manifestar a sua estranheza quanto a uma residual dívida de 90 euros para com uma empresa da localidade, deixando ainda dúvidas sobre o posicionamento do Presidente da Junta de Carnide neste processo e a convicção de que a Assembleia consistiu numa “festa comício com aproveitamentos políticos de efeitos duvidosos.”

Alguns dias passados, parece ter sido encontrada a sustentabilidade para o clube, pelo menos para já, com a Direcção do CAC a revelar na página oficial do clube no Facebook que chegou a acordo com o credor, Terracell, para o pagamento da verba em dívida, fazendo uso da acta publicada pela Comarca que julgou o caso e há pouco mais de uma semana o emblema da Pontinha organizou mesmo uma Sessão Solene dando conta da sanidade financeira do clube e ligação frutuosa entre os seus componentes. Espera-se, portanto, que os 'fantasmas' relativos a uma possível extinção do clube estejam afastados em definitivo.

Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: Clube Atlético e Cultural / Página Oficial