quarta-feira, 23 de novembro de 2016







Taça cheira a Lisboa

Um Benfica ao seu mais alto nível terá sido o ponto alto da 4ª eliminatória da Taça de Portugal que apresentou várias surpresas, estando agora a prova dominada pela presença de equipas oriundas de Lisboa e das suas proximidades.


Terminada mais uma eliminatória da Taça de Portugal, mais precisamente a 4ª (por outras palavras, os 16-avos de final), a percepção que pode ter-se relativamente à competição é a de que se tornou bem… lisboeta devido à presença maciça de clubes pertencentes ao distrito de Lisboa e suas proximidades à entrada para os oitavos-de-final da prova. Mais precisamente 7 em 16, isto juntando o Vitória de Setúbal - outro distrito, mas bem próximo da capital - e tendo em conta que o Oriental, mais um clube oriundo de Lisboa, obrigou o Leixões a disputar o prolongamento.
Comecemos então por Domingo e os emblemas qualificados que não são originários da capital, como um dos encontros menos badalados desta fase: o triunfo do Penafiel como forasteiro no terreno do Vizela (1-0) num confronto entre conjuntos pertencentes à Ledman LigaPro (II Liga), demonstrando estar bem acima de tempos não muito distantes como 2013/2014.
Essa foi uma temporada ‘horribilis’ na qual foi orientado por três técnicos no espaço de apenas uma época e não conseguiu evitar a despromoção ao segundo escalão no qual ainda se encontra. Hoje, o actual treinador Paulo Alves estará certamente contente.
Já em Torres Vedras, o Nacional protagonizava uma das surpresas, pela negativa, desta Taça ao ser afastado pelo Torreense, dando continuidade a uma época apagada polvilhada de desaires especialmente nos momentos em que abandona a Madeira rumo ao Continente, dando mostras de preocupante fragilidade sempre que joga como visitante.  


Benfica não imprimiu rotação e com isso acabou a golear


Pouco depois, o detentor do troféu, o Sporting de Braga, ainda chegou a reviver frustrações como as de há duas épocas, altura em que esteve perto de conquistar a Taça de Portugal ante o Sporting mas não o conseguiu, ao entrar sem chama na recepção ao Santa Clara (Ledman LigaPro). No entanto, os minutos finais revelaram-se frutíferos para uma reviravolta alcançada já em esforço.
No Sábado e na cidade mais representada nesta Taça, Lisboa, o tricampeão nacional Benfica poderia ter aproveitado para imprimir alguma rotação no seu alinhamento titular. Para citar um exemplo, André Carrillo regressou altamente motivado da selecção do Peru e disposto a justificar aos adeptos encarnados que se encontra de regresso ao seu melhor.
Agora na Luz, recuperado de 10 meses recentes nos quais se treinava em solitário e transportava familiares ao aeroporto em dias de jogo do Sporting, Carrillo poderia ter na Taça uma (rara) ocasião como titular. Puro engano: Rui Vitória optou por fazer alinhar a equipa habitualmente titular ante o Marítimo, o que resultou numa goleada tão fácil quanto meritória para os encarnados.
Poucas horas antes, o Estoril fez-se valer da sua experiência de futebol de primeiro nível - alguns dos seus jogadores já disputaram a Liga Europa e realizaram deslocações a terrenos exigentes num passado não muito recente - para afastar o Cova da Piedade (Ledman LigaPro). Mais um jogo no qual não houve lugar a surpresas;

Sporting pôde reduzir desgastes e preparar-se para a próxima batalha europeia

Dias antes, na 5ª feira, o Sporting pôde baixar os níveis de intensidade e desgaste na recepção ao secundário Praiense (CPP), fazendo alinhar os dois centrais que têm sido alternativa aos habitualmente titulares e poupando ainda várias das peças nucleares da equipa como Bryan Ruiz e William Carvalho e até o substituto do negociado Islam Slimani, Bas Dost, apesar de aparentemente a sua posição incorrer num menor desgaste físico comparativamente com outros postos em campo - todos eles atletas com lugar garantido na equipa sempre que disponíveis.
Tanto Bryan quanto William, como Dost, já olhavam mais à frente - apesar da seriedade com que a eliminatória deveria ser (e foi) encarada pelos leões, a meta era clara e apontava para o decisivo encontro desta 3ª feira ante o campeão europeu em título Real Madrid no qual ainda se mantém como concorrente pelo apuramento no seu grupo para a segunda fase da Liga dos Campeões ainda que o mais provável nesta altura passe mesmo pela ’despromoção’ para a Liga Europa.
Apesar da diferença enorme entre as duas equipas, o Sporting deixou notas das características que normalmente o caracterizam: enorme agressividade positiva e muito à-vontade na posse de bola, aspectos que foram reduzindo a resistência do atrevido visitante açoriano que entrou em jogo com um surpreendente golo mas que com o decorrer do tempo foi goleado com naturalidade.
Noutros campos, surpresas na eliminação do FC Porto em Chaves na 6ª feira, do Gil Vicente (LigaPro) no terreno da Sanjoanense (CPP), do Feirense ante a Académica (LigaPro), do Olhanense (LigaPro) no campo do ’tomba-gigantes’ Real (CPP, já havia afastado o Arouca) e do Paços de Ferreira em visita ao Vilafranquense (CPP) e expectáveis apuramentos do Vitória de Setúbal em casa do Benfica Castelo Branco (CPP), do Leixões (LigaPro) no reduto do Oriental (CPP), do Tondela no terreno do Mineiro Aljustrelense (CPP) e ainda um electrizante Boavista vs V. Guimarães que sorriu aos minhotos.