quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017




Real – Viagem mais atormentada seria impossível

Tudo correu mal ao Real na deslocação aos Açores para defrontar o Praiense. Como se não tivesse bastado o facto de ter encaixado uma derrota por 2-1, a equipa de Queluz/Monte Abraão ainda se viu privada de dois dos seus jogadores, a necessitar de assistência médica no hospital na Praia da Vitória e por isso obrigados a abandonar o desafio – os médios Rúben Marques e Kikas, que assustaram os responsáveis do clube em momentos distintos.

No caso do primeiro, capitão de equipa, este chegou mesmo a perder os sentidos no relvado após ter sofrido uma cotovelada na cabeça, numa zona situada entre a testa e o nariz. Após ter sido transportado de ambulância para o hospital, o médio de 22 anos recuperou na totalidade e regresso mesmo de táxi para o Municipal da Praia da Vitória onde se juntou à restante comitiva, encontrando-se disponível para receber o Fátima na próxima jornada, agendada para o próximo Domingo.

Em pior estado ficou mesmo Kikas, que num lance em que correu em direcção da bola acabou por encontrar uma abordagem ríspida de um adversário que acabou por errar o tempo de entrada ao esférico e cabecear… a cabeça do médio do Real que de imediato contraiu uma lesão na região da testa e foi também assistido no mesmo Hospital açoriano no qual recebeu alta e autorização para regressar a Lisboa com os seus companheiros.

Uma alta que se revelaria provavelmente precoce visto que ainda no voo Kikas, que necessitou de uma sutura de 9 pontos na testa e apresenta os dois olhos negros, demonstrou fortes queixas agravadas pela longa viagem a que se sujeitou e mostrou-se indisposto, o que conduziu ao seu transporte de urgência para o Hospital dos Lusíadas, onde e permaneceu internado até à noite desta 2º feira quando lhe foi dada alta sob o diagnóstico de uma lesão periorbitária.

A essa lesão, causadora também do inchaço ao nível dos olhos, acresce uma fratura do tecto da órbita direita, estando ainda sob equação por parte do responsável clínico a possibilidade de submeter-se a uma cirurgia após atravessar nova ronda de exames.

Para já, e sem considerar o cenário de cirurgia, o centrocampista de 26 anos que realizava a sua estreia após ter sido emprestado pelo Leixões no mercado de Inverno enfrentará uma paragem nunca inferior a três semanas. Apesar da dureza dos lances, o Real não considera a situação gravosa no sentido de, assinalam José Carlos Pires, director para a área do futebol, e Daniel Canário, director do clube, se terem tratado de “lances duros, mas normais em futebol,” com este último a elogiar o fair-play demonstrado pelos jogadores do Praiense, rapidamente solícitos a pedir assistência.

Todavia, revelou uma opinião contrária relativamente à atitude demonstrada pelo presidente do clube insular. No momento que se seguiu à lesão dos atletas do Real, Daniel Canário e Marco Monteiro terão protagonizado uma altercação que o responsável do Real classifica de “uma atitude intratável. Não se faz uma coisa daquelas, mas prefiro não me alongar,” situação que motivou o agendamento de uma reunião no clube da região de Sintra na qual será avaliada uma eventual exposição à FPF condenando o comportamento do líder do clube açoriano.

Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: Edgar Vieira