sexta-feira, 13 de novembro de 2015





Entrevista com Rui Sousa

Com alguma surpresa tendo em conta o bom posicionamento do Real SC na Série G, o clube de Massamá/Queluz prescindiu dos serviços do seu técnico, Rui Sousa, uma opção que apanhou de surpresa o próprio treinador uma vez que recordou o excelente trabalho que tem vindo a realizar nos últimos dois anos numa entrevista exclusiva ao NOVA ACADEMIA DE TALENTOS:

A sua saída causa algum espanto. A que se deve este desfecho? 


Como calcula não são problemas desportivos, estamos em 3º a 2 pontos do 2º lugar e falta de valorização de jogadores também não é. Basta analisar os jogadores que saíram nestes dois anos, aliados à nossa forma de jogar e resultados mas pronto, nova janela vai abrir.

É um técnico agora livre de compromissos. Responsabiliza a Direcção do Real pela sua saída precoce? Pode dizer-se que está a ser de alguma forma atacado pelo clube? 


Acho que os resultados falam por si, nos dois últimos anos e inclusive neste Campeonato de Portugal Prio, estar em 3º lugar a 2 pontos do 2º lugar e 5 pontos do 1º não me parece ser mau para quem analisar entrevistas iniciais da Direcção que quer fazer campeonato tranquilo e valorizar jogadores, isso foi tudo feito até à data, digam o que disserem.
Há que não ter memória curta. Há 2 anos fiz 3º lugar na Pró-Nacional quando peguei na equipa em 11º lugar, conseguimos a vitória na Taça da AFL e a vitória na Liga Chinesa, no ano transacto fomos vencedores da Pro-Nacional destacados, vitória na Supertaça da AF Lisboa, extraordinária presença na Taça de Portugal eliminando o Portimonense e batendo o pé ao Gil Vicente e um 2ºlugar na Liga Chinesa em sub21.
Ainda na presente época conseguimos a vitória na Taça Nike, uma prestação digna na Taça de Portugal perdendo com o Oriental de uma forma inglória e 3ºlugar no campeonato. Resultados?! Não me parece mas manda quem pode e desejo toda a continuidade de sucesso que teve comigo ao clube.
Valorização de jogadores acho que esteve bem patente estes 2 anos, também o bom trabalho de toda a gente envolvida incluindo a equipa técnica que foi também muito competente: saiu há 2 anos José Correia dos Juniores do real para os Juniores do Sporting e depois o Inter de Milão, Miguel Cardoso há 2 anos para o Corunha B encontrando-se agora na equipa principal, saída do Vasco para Loures e agora Braga B…
Há a saída de inúmeros jogadores há 1 ano para o CNS na altura: Elton, Delman, Daniel, Gonçalo, Rodrigo, Nelson para o Atlético depois o Casa Pia, etc, a saída mais visível de Fati e Sousa para o Moreirense da Primeira Liga e ainda continuam lá e no final da época o Carreira e o Morgado também com mesmo destino mas ambos emprestados, um ao Felgueiras outro ao Real, respectivamente!
Ou seja, valorização parece-me evidente que existiu e não existe a mesma sem estar aliada igualmente de sucesso desportivo e isso aconteceu e atribuímos mérito a todos, focando os jogadores que foram maiores obreiros de todo este sucesso, eu fui uma peça de tudo e toda a estrutura teve mérito, obrigado!
Fica a tristeza de memória curta e de desvalorização e crítica fácil à equipa técnica, embora agradeça a toda a estrutura diretiva a oportunidade de ter trabalhado nesse clube fantástico! A mensagem que fica e que importa, as pessoas passam, os clubes ficam e mesmo com ideias, simbioses diferentes daquilo que deva ser o caminho correto todos merecemos ter sucesso e sentirmo-nos bem no local onde trabalhamos! Felicidades e votos de continuidade de crescimento ao Real.

Estamos precisamente a meio da temporada no CPP. Todos esses resultados falam por si. Uma vez que não foi pelos resultados desportivos, a que se deve esta saída no decorrer da época?
Como deixei agora na última declaração, deduzo que tenha a ver com simbiose de ideias futuras para o clube.

Como tudo se processou? Quem lhe comunicou que a Direcção não contava mais com os seus serviços?
Marcaram reunião com a direcção e a decisão coube a quem manda, eu sou funcionário simplesmente.

Comunicaram-lhe a sua saída pessoalmente?

Sim, embora quem anda no futebol se aperceba que há algum tempo o queriam.

Esta possibilidade chegou a ser falada no início da época? Recusou algum outro convite?

Não foi falada no início da época e quanto a convites houve algumas abordagens ou breves contactos com elementos de algumas direcções inclusive um da 2ª Liga mas não se concretizaram e fiquei no Real igualmente orgulhoso e satisfeito, adoro muitos daqueles miúdos.

No final da época passada, a sua intenção passava por continuar? Ou ainda esperou por alguns outros contactos?

Sempre dei prioridade à continuidade no projeto no Real a não ser que se efectivasse o profissionalismo na Liga e isso ficou sempre tudo claro entre todos até porque no Real também existem jogadores que merecem e tem qualidade imediata para estar na Liga.

Era seu objectivo treinar a 1ª equipa quando chegou ao comando dos Juniores no Verão de 2013?

Na altura quando cheguei, um pouco antes aguardava um contato de uma equipa sénior de Nacional que não o Real mas que tardava por opção a mudar de imediato, não podia estar como queriam a esperar por algo que podia não acontecer e quando aceitei os Juniores era pelo fato de estar no ativo e ainda assim não deixavam de estar na I Nacional, nesse momento nunca pensei nos seniores do Real.

A sua carreira como técnico leva quase 20 anos. Como se deu o início ainda tão jovem no Porto Salvo?

Era jogador e na altura o treinador principal, Sr. Arlindo, trabalhava sozinho e eu como era igualmente aluno da FMH na especificidade de futebol quando dei por mim e a pedido a ajudar e colaborar nos exercícios e depressa me puxou para outro lado, o de treinador.

Dois anos depois, passou para o Oeiras. Como lhe surgiu essa oportunidade?

Fomos como equipa técnica do treinador que saiu, eu continuei ligado ao clube e ao Sporting na altura.

Quando foi para o Oeiras já estava ligado ao Sporting?

Liguei-me nesse mesmo ano ao departamento de prospecção com Aurélio Pereira.

Portanto, a estada em Oeiras, as três épocas como observador e o regresso ao Porto Salvo foram todos trabalhos ao serviço do Sporting?

Não, além de treinar nessas equipas colaborava depois no SCP como observador técnico para eles a analisar equipas ao fim-de-semana quando podia e inclusive um ano em que lecionei no Algarve era responsável por essa zona.

Depois de segundas experiências em Porto Salvo e Oeiras seguiu-se o Amora. Foi na altura a melhor possibilidade que teve?

O Amora estava na II Divisão Nacional Zona Sul com jogadores profissionais e muita experiência, casos do Matias ex Gil Vicente, João Flores ex- internacional português, João Oliveira Pinto ex-SCP etc, Pedro Regueira da U. Leiria, Cilio Souza ex-Beira-Mar, Domingos ex-Estoril, Miguel Gama ex-SCP, Rebocho e Mendão ex-Vit. Setúbal, 2 jogadores emprestados pelo Benfica. Danilson e George Jardel, irmão do Mário Jardel, foram uns meses puxados e enriquecedores até à saída em Fevereiro por vencimentos em atraso.
Ainda pensei em continuar até final da época com o meu colega Rui Dias mas como acumulava também treinos à noite no Oeiras e ainda lecionava estava a ser duro e cansativo e ainda por cima não estava a receber do Amora, abdiquei daí.


O bom trabalho em especial no Oeiras levou-o ao Sintrense, primeiro como coordenador técnico e apenas depois como treinador. Por que razão apenas passou a treinador à 2ª época?

Porque fui para o Sintrense na altura a convite de um presidente e estruturar todo o futebol formação mas sempre ficou patente que se surgisse oportunidade ali ou noutro local em seniores eu sairia! Fizemos coisas giras em pouco tempo, um torneio em homenagem a Adriano Filipe, entre outros.

Acabou por sair para o União Tires, a última experiência que teve antes do Real. Esses três anos foram a preparação de que precisava?
Aí deu-me estaleca a trabalhar praticamente só com jovens valores, diferente de ter jogadores maduros e experientes e aprendi esse contexto igualmente com resultados, foi gratificante.

Para concluir, o que espera agora do futuro? Tem algum outro projecto em vista?

Espero descansar um pouco, de momento não mas espero a breve, médio prazo voltar a fazer o que gosto com a minha equipa técnica competente e que até à data por onde tenho passado tem demonstrado uma qualidade tremenda, e quando surgir nova oportunidade e projeto quem sabe procurar a oitava subida de divisão.