sexta-feira, 19 de maio de 2017




Atlético - Clube em crise directiva, SAD à beira do milagre

Menos de um ano depois, novamente em eleições... Não chegou a durar um ano a actual Direcção do Atlético Clube de Portugal que esta manhã informou em comunicado os seus associados relativamente à demissão generalizada dos seus corpos directivos ao seu mandato que se encontrava aprazado até 2019, um triénio, com saída inclusivamente da Mesa da Assembleia-Geral, presidida por Sérgio Abrantes Mendes, que estará agora incumbido de agendar novo período eleitoral para o clube da Tapadinha que parece assim dar continuidade ao seu percurso de via sacra.

Menos de um ano após o futebol do clube ter sido despromovido das provas profissionais, o rumo do Atlético parece distante da estabilidade: após a eleição da actual Direcção, presidida por Armando Hipólito, o clube optou por dissociar-se da SAD responsável pelo futebol, impedindo-a mesmo de frequentar o Estádio da Tapadinha.

Deu-se assim origem a dois ’Atléticos’: a equipa gerida pela SAD, assumida por investidores de origem chinesa, a disputar o Campeonato de Portugal, e o clube que passou a utilizar a equipa inscrita na I Divisão da AF Lisboa como o conjunto apoiado pela estrutura directiva. A partir desse momento, Armando Hipólito, suportado pela Direcção que agora se encontra em período demissionário, avançou com uma série de processos de insolvência sobre a SAD que não se encontra à data ainda resolvido como primeiro passo para concretizar a meta a que se propôs no momento da sua eleição.

“Sanear o clube” foi o mote deixado por Armando Hipólito. No entanto, acima da situação da vertente futebol (a equipa, como desejável, encontra-se bem colocada para alcançar a promoção à Divisão de Honra da AF Lisboa, assim conseguido atingir patamares que permitam obter algum apoio a nível de protocolos com os vizinhos Benfica e/ou Sporting, uma meta nunca confirmada mas ainda assim um desejo velado e demonstrado por alguns associados no momento eleitoral), os verdadeiros motivos que terão contribuído para este desfecho serão outros, bem diferentes.

A decisão de renunciar terá directamente que ver com o aspecto financeiro. Mais concretamente, será a impossibilidade de levar a cabo o saneamento financeiro do clube face à ausência de apoio popular, de patrocínios e de sectores originadores de receita; por fim o que terá sido a ‘estocada final’ nas aspirações desta Direcção que terá passado pela perda da gestão das Piscinas Municipais do Alvito.

Essa contrariedade foi mesmo caracterizada por Hipólito em Dezembro último “como se nos tivessem tirado um pulmão”, depois de esclarecer que tal se deveu a dívidas não regularizadas pela SAD - já no momento actual, e instado pelo NOVA ACADEMIA DE TALENTOS a esclarecer os motivos que levaram à renúncia da Direcção do clube, o Presidente da Direcção escusou-se a prestar qualquer comentário.

A contrastar com o regressado estado de crise directiva que afecta o clube, a equipa comandada pela SAD poderá estar a dois jogos de confirmar o que poderá ser visto como um milagre futebolístico. Isto porque a equipa que era dada como condenada no final da primeira fase, altura em que não havia somado qualquer vitória em toda a época, transfigurou-se por completo na Fase de Manutenção ao recuperar e colocar-se na posição de play-off. Caso ultrapasse essa eliminatória, o Atlético SAD alcançará uma permanência ao nível de uma história de encantar - faltam 180 minutos para que tal possa mesmo vir a acontecer.