terça-feira, 9 de maio de 2017



Candidato... a perder o título

O Marítimo utilizou a arma mais recorrente do seu arsenal para voltar a fazer baquear o FC Porto e muito possivelmente dar por terminada qualquer aspiração em lograr a conquista do título nacional.
Poucas vezes um segundo classificado na Liga portuguesa terá contabilizado tantos empates - numa visita ao Caldeirão com a qual normalmente não se dá bem, o FC Porto voltou a escorregar num terreno em que já poucos estranham que tal aconteça, ou não date já a última vitória dos azuis-e-brancos com o Marítimo enquanto visitado de 2012. Devido também a esse facto, o título nacional, agora sim, terá sido irremediavelmente perdido.
Ainda assim, o cenário até chegou a ser risonho para o dragão que se colocou em vantagem num lance concluído por Otávio, criativo pouco habituado a finalizar com sucesso mas que se encontrava no local mais indicado para atirar cruzado para o primeiro tento da noite aos 28 minutos após uma tentativa de corte tudo menos decisiva do central Zainadine Júnior. Um golo que fazia jus a uma máxima que os dragões pretendem defender e que incide no facto de muito embora não seja obrigado a conquistar títulos este FC Porto ter como responsabilidade discuti-los até ao fim.
Marítimo alcançou a igualdade da forma mais previsível; FC Porto continuava desprevenido
No entanto, e em grande parte por culpas próprias, tal poderá voltar a não suceder no caso da Liga NOS visto que a vantagem alcançada acabaria por não se manter graças à reacção do Marítimo que na segunda metade decidiu ’partir para cima’ e utilizar a bola parada para marcar a diferença e logo por uma ‘substituição canhão’ - escolha certeira de Daniel Ramos que aos 66 optou por lançar o ponta-de-lança Donald Djoussé para que este apenas 3 minutos volvidos tenha alcançado a igualdade com um indefensável cabeceamento em resposta a canto cobrado pelo lateral Patrick Vieira.
Deficiente preparação defensiva dos azuis-e-brancos que não conseguiram pôr cobro à capacidade dos madeirenses em chegar ao golo através de pontapés de canto, pontificando como a equipa da Liga NOS que mais vezes celebrou golos nessa situação.

Quem sabe se não foi este o maior erro de preparação tomado por Nuno Espírito Santo desde que foi confirmado como treinador do FC Porto, o de não conseguir apresentar um dragão incisivo e ganhador perante um respeitável Marítimo que ainda na época passada atingiu a final da Taça CTT e que se assume como uma das boas equipas deste Campeonato. Ninguém considera milagroso mais este baquear portista na Madeira e poderá mesmo ter sido o último suspiro neste título nacional.

Texto: Rafael Batista Reis
Imagem: MaisFutebol