terça-feira, 7 de março de 2017




Sandro: idade de aprendiz, currículo de veterano

“O treinador é um frustrado por não ter sido capaz de jogar,” essa foi uma frase proferida por um dos mentores de Pep Guardiola, Juan Manuel Lillo (hoje treinador adjunto de Jorge Sampaoli no Sevilla), no seio de uma pós-graduação organizada pela Universidade Lusófona que Sandro Pinto reteve até hoje… muito embora represente precisamente o contrário – com apenas 20 anos, este será o mais jovem técnico de guarda-redes em actividade nas competições nacionais com a especial curiosidade de cedo ter manifestado o seu sonho de treinar guarda-redes ao invés de tornar-se ele próprio num.

Actualmente Sandro Pinto orienta os guarda-redes da variante feminina da Selecção Distrital de sub-16 da AF Lisboa e do próprio Centro de Treinos da mesma entidade, ao mesmo tempo que vai expandido o seu próprio projecto pessoal, uma Academia exclusivamente dedicada ao treino de guardiães num percurso que cedo começou a planear tendo os seus dois primos, ambos guarda-redes, como inspiração para o que haveria de tornar-se uma paixão, o treino específico de guarda-redes, como define o próprio: “gosto da euforia do jogo e se o jogo correr bem ou mal ao guarda-redes é também produto do nosso trabalho.”

Esse, define o jovem treinador de guarda-redes, é o principal desafio capaz de impulsionar um percurso bem mais preenchido do que a sua tenra idade faria adivinhar, algo apenas possível devido ao facto de ainda em idade infantil passar a dedicar-se mais a treinar o companheiro de sector, “do mesmo nível na altura, levando consigo “uma folha que colava num dos postes com exercícios que tinha construído em casa” enquanto jogador poucos anos antes de começar a realizar o sonho ao juntar-se ao Sacavenense com idade de jogador… júnior (apenas 17 anos), depois de já ter jogado no clube para passar a orientar guarda-redes nas I e II Divisões do Campeonato Nacional de Juniores, sagrando-se mesmo campeão nacional da II Divisão pela turma de Sacavém.

Esse passou a ser um trabalho que entretanto viria a conciliar com um estágio de dois anos na Geração Benfica no Estádio da Luz e pouco depois apresentaria mesmo um projecto de desenvolvimento para o futebol em São Tomé e Príncipe que lhe valeria ainda um prémio de Jovem Empreendedor e o patrocínio da empresa Orange Popcorn que ainda hoje apoia a sua Academia. Gerir uma Academia com apenas 20 anos representa, sublinha Sandro, “um sonho de menino” enquanto a carreira ao nível de clubes continuava a desenvolver-se:

Seguir-se-ia o Casa Pia, como coordenador do departamento de guarda-redes e treinador desse posto específico na equipa que disputava a I Divisão Nacional de Juniores e depois o Loures, novamente para a divisão maior do Nacional sub-19. Três temporadas e meia consecutivas a trabalhar em Campeonatos Nacionais entre os 17 e os 20 anos.

Feito esse que o notabiliza na área e que lhe garantiu experiências de renome como uma semana de estágio no Sporting de Braga entre os plantéis de Juniores e o Sp. Braga B com o apoio de responsáveis como Orlando Silva e especialmente João Cardoso, antiga glória do clube bracarense que se iniciou precisamente no Sacavenense.

Em Braga, para além do planeamento de novos projectos e inclusivamente o acordo para a marca de luvas que ainda hoje o patrocinam e à sua Academia, que classifica de “um parceiro para treinar e com a qual mantenho um relacionamento excelente.” Sandro Pinto reencontraria ainda Tiago Pereira, guarda-redes do Sp. Braga B e amigo de infância com quem já realizava exercícios nas ruas de Chelas, de onde ambos são originários, sonhando ambos chegar ao profissionalismo nas respectivas áreas. Para já… ambos estão a consegui-lo.

Se Tiago Pereira terá sido o primeiro guardião de reconhecido potencial com quem treinou, vários já se lhe seguiram como José Costa (Académica, que aconselha com frequência), Raphael Cruz (At. Malveira), Pedro Gonçalves (Ol. Hospital), Júnior Ferreira (Desp. Chaves, que ainda hoje aconselha), entre outros.

O segredo, estima, passa por “acreditar bastante” e beber ensinamentos de profissionais qualificados e mais experientes como César Gomes (treinador de guarda-redes do Rio Ave), Emídio Júnior (treinador de guarda-redes do Nacional) ou Pedro Espinha, actual chefe do departamento técnico de guarda-redes do Lyn (Noruega). Com apenas 20 anos, o indício de uma carreira muito risonha ao nível do treino específico.