quarta-feira, 29 de março de 2017




Sofia Farmer, a colónia portuguesa da Irlanda do Norte

Se o futebol português tivesse uma Embaixada na Irlanda do Norte, o local estaria certamente escolhido: a cidade de Cookstown, onde se encontra sediado o Sofia Farmer FC, que disputa o quarto escalão deste país, a amadora Ballymena & Provincial Football League, e neste momento ocupa a 5ª posição e acolhe futebolistas portugueses mas que, como confirma o seu guarda-redes habitualmente titular, o luso-sãotomense Jenimy de Sousa, “já foram mais” - e de que maneira, num emblema em que inclusivamente o seu presidente é… português, de seu nome Alberto de Barros e os únicos naturais do país são o treinador e um par de futebolistas.

Basta atentar-se ao facto de desde Agosto até ao momento actual o plantel da equipa norte-irlandesa já ter registado a saída de André Lima (Canas de Senhorim), Fábio Ganhão e Danny Correia (Amora), Carlos Canedo (sem clube conhecido), Elton Carvalho (Alverca) e Nuno Colaço, o único que optou por transferir-se para um clube igualmente da Irlanda do Norte mas de superiores ambições, o Coleraine, para se perceber a dimensão do jogador semi-profissional português neste conjunto, o Sofia Farmer. Antes, já Cláudio Jerónimo (Pêro Pinheiro), Jordi Freixo (também com nacionalidade em Andorra), Diogo Silva, Alexis Cabral, Leandro (todos sem clube conhecido), e Elton Caculo haviam deixando o clube.

Grande parte destes abandonaram o clube em litígio com o presidente, registando mesmo condições complicadas ao nível da habitabilidade e logística; no entanto, o modesto clube irlandês mantém para já seis futebolistas ao seu serviço - o já referido Jenimy, que não negando as dificuldades com que se depara no dia-a-dia “cada um tem a sua opinião; tenho trabalho por lá e isso é o menos para quem procura e quer algo melhor”  e ainda Peter Stain (português de ascendência inglesa) e Valter Monteiro, os restantes guarda-redes do plantel, juntando-lhes Timmie Pollard (também ele luso com familiares britânicos), Sérgio Duarte e Hélder David, Miguel Dias, Pedro Gomes, Paulo Monteiro, Diogo Inácio e Leandro Quinhentas.

Contando com o actual contingente e aqueles que já abandonaram o clube, um total de 23 jogadores num espaço temporal inferior a seis meses que comprova que a aposta nos escalões distritais lusos será uma aposta a ter continuidade no futuro deste modesto clube britânico que, conclui ainda Jenimy, tem como meta “subir de divisão, foi a meta definida no início da época“, ao mesmo tempo que vai concedendo espaço a jogadores de divisões inferiores que procuram seguir o seu caminho fora do País.