quinta-feira, 20 de novembro de 2014



Cuidem de quem vale Ouro

Após uma temporada de sucesso que redundou na conquista da tão ansiada Décima, a dezena de conquistas da Liga dos Campeões, seria difícil esperar que uma equipa estivesse preparada para fazer ainda melhor, e logo no ano seguinte. Pois bem, estamos a falar do Real Madrid, e como tal tudo parece conjugar-se para uma época de sonho que se iniciou com uma Supertaça Europeia, poderá ter continuidade com um Mundial de Clubes e chegar a um outro nível no final da época.

Para além do primeiro troféu da época e o ceptro mundial que, convenhamos, está completamente ao alcance dos merengues, ‘apenas’ falta reeditar o sucesso na Champions, o que valeria uma recordista 11ª, e resgatar os títulos de La Liga e da Taça do Rei. Complicado? Sim, mas bem possível para um conjunto que parece ainda melhor do que no ano passado pela estratégia ofensiva que emprega para vencer cada jogo.

Se a esse impressionante ataque for acrescentado o carácter controlador que na temporada anterior permitira gerir cada eliminatória a partir da primeira mão, parece estar encontrado um Real capaz de realizar um ano verdadeiramente histórico, isto também se a utilização da sua estrela maior, Cristiano Ronaldo, for mais regrada ao invés da forma excessiva com que foi ’espremido’ na época passada.

Na época passada a utilização exagerada obrigou a que CR7 tenha canalizado tudo na final da Champions

“Os portugueses sabem que temos um jogador capaz de ganhar jogos para nós”, afirmou há alguns meses a glória da Selecção Nacional, Pedro Pauleta, tecendo uma consideração que será certamente partilhada por cada um dos adeptos do Real Madrid - com Cristiano em campo, os madrilenos estão sempre mais perto da excelência.

A capacidade física de CR7 será fulcral para esse sucesso. Deve recordar-se a opinião do próprio, que reconheceu no momento em que o Real mais necessitou do máximo da sua plenitude que “se parasse agora estaria muito bem para o Mundial,” o que acabou por não acontecer pois as deficientes condições em que se encontrava apenas lhe permitiram canalizar tudo para a final da Champions.

Face à recorrência excessiva aos seus préstimos, Cristiano Ronaldo terminou a época esgotado e sem possibilidade de ajudar a Selecção, tendo necessitado mesmo de falhar os encontros de preparação frente a Grécia e México para retornar no ‘ensaio geral’ contra a Irlanda de forma a poder disputar o Campeonato do Mundo bem longe da forma física ideal.

“Os casos de Raul Meireles e Pepe são diferentes do de Cristiano Ronaldo, mas espera-se que ele esteja a 99,9%,” chegou mesmo a vaticinar o seleccionador nacional na altura, Paulo Bento, que no fim de contas não viu essa possibilidade confirmar-se, muito por culpa das muitas ‘guerras’ a que a estrela portuguesa foi sujeita durante a época.

Recuperação na pré-temporada foi determinante para o excelente nível de forma em que se encontra

Ronaldo pode até remeter-se aos casos antigos de Pelé, que em 1966 chegou em má forma a esse Mundial e com isso também terminou com as esperanças do Brasil em ser bem sucedido, mas também de Diego Maradona vinte anos depois, altura em que praticamente sozinho carregou a Argentina ao título mundial.

Se com o português sucedeu o primeiro exemplo neste Mundial, dar azo ao segundo em Madrid parece desnecessário tendo em conta a ajuda que o restante plantel lhe poderá dar, pelo que a recuperação física que conseguiu realizar na pré-época consiste numa excelente notícia pois permitiu-lhe uma entrada a todos os títulos exuberante e a garantia de que este Real lutará mesmo por todas as provas possíveis.

Para que tal aconteça, Cristiano terá de ser poupado a esforços desnecessários, como sucedeu no recente particular ante a Argentina no qual foi mesmo rendido ao intervalo e como terá de repetir-se em cada ocasião em que Portugal realize um amigável ao invés de um encontro ‘a doer’. O Bola de Ouro é ‘dos duros’, mas não deve ser levado ao extremo.